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Os Dez Princípios do Anarquismo


São esses os princípios de uma organização humana sem a presença de predominância social ou física, são a base da liberdade das mãos opressoras do comunismo autoritário, nacional socialismo, democracias liberais, teocracias, monarquias e todas formas de governo que priorizam a supremacia e opressão em benefício próprio de uns sobre outros, somos racionais, podemos nos organizar, basta quebrar as correntes da alienação e o principal, LUTAR:
Os Dez Princípios do Anarquismo
AUTONOMIA :: Esta é a condição indispensável para obter-se a liberdade individual/coletiva. Significa o respeito às decisões, vontades, e opniões do indivíduo em relação ao grupo e vice-versa. Por exemplo: caso um grupo decida em prol de determinada ação, os membros discordantes não ficam obrigados a participar da mesma. Para isso não devem haver relações de dependência que impeçam as pessoas de se posicionarem livremente.

APOIO MÚTUO :: É  a ajuda entre seres de uma organização social onde as partes interagem, auxiliando-se e fortalecendo-se. Tal prática não permite disputas, que são fundamentadas no princípio irracional de superioridade entre seres, sendo destrutivo para o convívio humano. Nossa proposta é somar forças para alcançar uma melhor qualidade de vida para todos.

AUTOGESTÃO :: A autogestão é por princípio, a comunidade cuidando diretamente de seus próprios deveres e interesses. Para que ela aconteça terá de haver ampla liberdade de organização sem leis cerceantes e hierarquias. Por este simples fato os partidos políticos e legisladores tornam-se desnecessários. Afinal se as pessoas tomam para si as responsabilidades de gerenciamento de suas vidas, os representantes profissionais e demais poderes são completamente inúteis.

INTERNACIONALISMO :: Não deveriam existir fronteiras. Não deveriam existir nacionalidades. Patriotismo é um sentimento mesquinho que só faz acontecer guerras inúteis e acirrar a raiva entre os povos. A luta pela liberdade passa pela derrubada do capital, que explora e oprime em todo o globo. Ao invés do estado nação, defendemos a autodeterminação dos povos. Somos internacionalistas, pois nossa ação é revolucionária e acontece em todos os lugares do planeta.

ANTIMILITARISMO :: Dentro da instituição militar impera o autoritarismo a partir de um complexo esquema de hierarquia de poder. Qualquer tipo de autoritarismo é inválido! Por quê um é melhor que o outro? Porque é mais velho? Porque tem mais medalhas no peito? Todos são iguais! Uns podem deter mais experiência, pois então que passem para os outros! O respeito virá naturalmente! Criar um sistema hierárquico por via de medalhas e impô-lo a todos é artificial! Abaixo o autoritarismo!

AÇÃO DIRETA :: A ação direta é o princípio onde você faz e decide diretamente tudo o que lhe diz respeito, em oposição a idéia de representação. O indivíduo por ser único é impossível de ser representado. Quando os movimentos sociais passam a agir e não somente reagir ao sistema, pacífica ou violentamente se faz chamar de ação direta, a maturidade de uma organização, a essência da atual libertária e a única maneira de trilhar um caminho contínuo para a revolução social.

AUTO DEFESA :: Um princípio libertário que propõe a defesa do indivíduo e/ou coletivo, para garantir sua sobrevivência contra forças opressoras da reação. Temos de nos defender do sistema e derrubá-lo, a liberdade não é negociada, nem barganhada, mas sim conquistada. Não se pode "confiar na polícia" e muito menos fazer-nos de vítimas indefesas do sistema. A característica ácrata é a ética e dignidade, "É melhor morrer de pé do que viver de joelho", a autodefesa acompanha toda a atuação anarquista.

VIVER A VIDA :: Fazer a sua parte não é encarar o mundo sob uma visão pessimista. Mesmo sabendo que o mundo é cruel, temos de saber que não podemos mudá-lo de uma hora para outra. Por isso, antes de desistir, desacreditar-se, dar um tiro na cabeça ou tomar qualquer outra atitude assassina-suicída, é necessário encarar a realidade, sabendo que, com pequenas atitudes e esforços, conseguimos mudar a cena.

INDIVIDUALISMO :: Individualismo não é, como a maioria faz crer, uma forma de egoísmo, e sim uma valorização do indivíduo, do individual. Um individualista é único, incopiável, livre e incensurável. "Até onde começa a liberdade do próximo." Todos somos únicos. Até o mais alienado dos humanos tem uma qualidade, uma peculariedade a mais ou a menos pelo menos. Tais qualidades não significam que há melhores e piores, e sim que somos todos diferentes, únicos. Massificar, exigir de todos o mesmo comportamento e rendimento é um atentado à vida, tão vil quanto julgar-se individualista pelo cruel ato de pensar no seu próprio umbigo apenas, mesmo que, para isso, tenha de atropelar, pisar, esmagar e ignorar aos demais.

APARTIDARISMO :: Eleições criam ilusões e desviam energias da luta direta contra o Estado e o capital, deixando desarmado os trabalhadores. Em 1970 os Chilenos acreditaram que se acabaria com o capitalismo elegendo um presidente socialista, em 1973 os militares rasgaram a constituição e instalaram a sanguinolenta ditadura de Pinochet. Em 1964 por muito menos os militares brasileiros rasgaram a constituição e apearam Jango do poder. Por tanto não será elegendo um operário, um democrata ou um socialista que sairemos desse pesadelo. Aqui e agora, no seu bairro, no seu local de trabalho na sua família, na sua escola lutando junto aos seus companheiros pela liberdade e para romper as estruturas autoritárias da sociedade, devemos lutar para cotidianizar a revolução e revolucionar o cotidiano.

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Estratégia de Dividir para Conquistar

 

 

As elites vem nos dominando a milênios usando sempre a mesma estratégia:

Dividir e Conquistar

Estrategia-de-Dividir-para-Conquistar

Não tome lados, somos todos UM. Não permita que suas opiniões e percepções da realidade te afastem da família humana.

A estratégia de dividir e conquistar da natureza humana tornou-se beligerante(envolvida com guerras) ao longo da história devido às segregações que ascenderam em todos os campos da sociedade. A partir do momento em que o homem deixou de olhar para dentro, investindo toda a sua energia para o mundo da matéria, iniciaram-se as fragmentações de todas as espécies. Logo, cada ponto de vista tornou-se a “verdade absoluta”, já que o não entendimento profundo de si mesmo fez do homem um ser contraído e concentrado, vendo apenas um ponto do cenário total.
Cada nova criação filosófica, científica ou social tornou-se uma fragmentação. Sendo um ponto de vista isolado, para aqueles que não enxergam uma imagem mais abrangente, cada nova criação adquiriu a condição de inimiga, pois desconstruía a verdade pessoal de cada indivíduo. Deste modo, religiões, filosofias, partidos políticos, escolas de pensamentos, partições científicas, tribos, nações, cores de pele, modos de se vestir, gostos musicais, tudo virou motivo para conflito.

O homem vê um inimigo em tudo, mas não percebe que não existe inimigo algum, se não a si próprio. Porém apenas através do autoconhecimento ele irá descobrir que o inimigo é uma ilusão da própria segregação, sendo então a ilusão de seu próprio eu.

Há novos inimigos surgindo todos os dias para o homem e nos tempos atuais um deles vem ganhando força. Trata-se de algo já antigo, mais velho que a maioria daqueles que visam combatê-lo, cujo principal objetivo é fundamentar a separação do homem para depois liderá-lo em meio à segregação. Esse inimigo não visa união, pois através da engenharia social implantou uma desconstrução agressiva em todas as cabeças da humanidade a fim de surgir como uma solução para o caos quando necessário.

Unificar a humanidade,porque somos uma só vida, a liberdade é uma armadilha, mas só é uma armadilha para quem desconhece a verdade ou seja a maioria! Liberte-se de si mesmo então liberte os outros deles mesmos,esta é a verdadeira unificação!

A Nova Ordem Mundial que tantos combatem não tem relação com um mundo unificado. Ela visa centralizar o poder em um mundo segregado. Há uma grande diferença nisso. Todo o tormento da raça humana está na segregação. Só quando esta se faz presente é que somos capazes de maltratarmos uns aos outros de maneira tão vil. Quando estamos segregados, abdicamos de nossos poderes, gerando situações para que outros decidam por nós o que fazer e o que pensar.

Há pessoas que são contra a Nova Ordem Mundial por motivos equivocados e há outras que são contra sem nem compreenderem o motivo. Ao ouvirem falar em mundo unificado já fazem a relação com o totalitarismo, pois estão descontroladas pelo medo e pelo fascínio que o perigo lhes causa.

Porém, mesmo sob um governo mundial o mundo continuará segregado, portanto não tem relação alguma com a unidade da raça humana. Quem não entende isso está querendo lutar contra um fantasma, uma sombra de sua própria sede de enfrentar um inimigo.

Um mundo unificado é a única solução para nossa civilização sobreviver e evoluir. Enquanto houver barreiras filosóficas, religiosas, territoriais e culturais, sempre haverá segregação e conflito. A sua verdade sempre será maior que a minha, o seu país sempre será melhor que o meu, a sua filosofia sempre será melhor que a minha.

Mas a questão é que para se escolher combater a Nova Ordem Mundial é necessário ter a consciência de se estar lidando apenas com um possível efeito de uma doença mais profunda. Se você não tiver essa consciência, cedo ou tarde vai se encontrar andando em círculos e cheio de dificuldades. Porque qualquer combate gera tensão e mais motivos para se combater.

Logo, não seja contra ela, mas a favor de purificar a raiz do problema. Prefira semear no coração de cada um a importância do autoconhecimento, do amor e da tolerância. Pois um mundo unificado só poderá surgir quando toda a humanidade estiver preparada para isso. Ele não surgirá pelas mãos de terceiros, mas pelas mãos de cada ser humano deste planeta.

A Organização I e I I - Errico Malatesta


A Organização I



Há anos que muito se discute entre os anarquistas
esta questão. E como freqüentemente acontece quando se
discute com ardor à procura da verdade, acredita-se, em
seguida, ter razão. Quando as discussões teóricas são
apenas tentativas para justificar uma conduta inspirada
por outros motivos, produz-se uma grande confusão de
idéias e de palavras.
Lembraremos, de passagem, sobretudo para nos
livrarmos delas, as simples questões de frases
empregadas, que, às vezes, atingiram o cúmulo do
ridículo, como por exemplo: "Não queremos a organização,
mas a harmonização", "Opomo-nos à associação, mas a
admitimos", "Não queremos secretário ou caixa, porque é
um sinal de autoritarismo, mas encarregamos um
camarada para se ocupar do correio e outro do dinheiro";
passemos a discussão séria.
Se não pudermos concordar, tratemos pelo menos de
nos compreender.
Antes de mais nada, distingamos, visto que a questão
é tripla: a organização em geral, como princípio e
condição da vida social, hoje, e na sociedade futura; a
organização das forças populares, e, em particular, a das
massas operárias, para resistir ao governo e ao
capitalismo.
A necessidade de organização na vida social – direi
que organização e sociedade são quase sinônimos – é
coisa tão evidente que mal se pode acreditar que pudesse
ter sido negada.
Para nos darmos conta disso, é preciso lembrar que
ela é a função específica, característica do movimento
anarquista, e como homens e partidos estão sujeitos a se
deixarem absorver pela questão que os interessa mais
diretamente, esquecendo tudo o que a ela se relaciona,
dando mais importância à forma que ao conteúdo e,
enfim, vendo as coisas somente de um lado, não
distinguindo mais a justa noção da realidade.
O movimento anarquista começou como uma reação
contra o autoritarismo dominante na sociedade, assim
como todos os partidos e organizações operárias, e se
acentuou com os adventos de todas as revoltas contra as
tendências autoritárias e centralistas. Era
natural, em conseqüência, que inúmeros
anarquistas estivessem como que hipnotizados por esta
luta contra a autoridade e que eles combatem, para
resistir à influência da educação autoritária, tanto a
autoridade quanto a organização, da qual ela é a alma.
Na verdade, esta fixação chegou ao ponto de fazer
sustentar coisas realmente incríveis. Combateu todo o
tipo de cooperação e de acordo porque a associação é a
antítese da anarquia. Afirma-se que sem acordos, sem
obrigações recíprocas, cada um fazendo o que lhe passar
pela cabeça, sem mesmo se informar sobre o que fazem
os outros, tudo estaria espontaneamente em harmonia:
que a anarquia significa que cada um deve bastar-se a si
mesmo e fazer tudo que tem vontade, sem troca e sem
trabalho em associação. Assim, as ferrovias poderiam
funcionar muito bem sem organização, como acontecia na
Inglaterra (!). O correio não seria necessário: alguém de
Paris, que quisesse escrever uma carta a Petersburgo...

A Ética Anarquista

Pode-se entender ética como aquilo referente aos valores morais nas práticas humanas, aquilo que seria certo ou errado como forma de conduta. Considerando que vivemos em uma sociedade capitalista, ou melhor, em uma sociedade fundamentada na lei do egoísmo, do lucro pela desvantagem do próximo, na exploração do homem e degradação do planeta, e, principalmente, na total alienação do indivíduo do controle de seu trabalho, sua vida social, sua educação, sendo utilizado como instrumento, como força social de acordo com o interesse das classes ou grupos dirigentes. Enfim, considerando tudo isso, é fácil identificar que tipos de ética e moral estão presentes em nossa formação: uma moral construída pela burguesia e uma ética coerente com essa moral, tudo isso viciando nossas práticas sociais com a ideologia do patrão, do político, do capitalista, da elite, do militar, de toda a escória que nos educa a servir e obedecer sem questionar, a tratar o próximo como um concorrente ou inimigo. Assim somos educados pelo estado, pelas classes dominantes ou qualquer outro grupo organizado que exerça e impõe sua influência perniciosa sobre a maioria da sociedade, através de sua moral podre e pela repressão de seus empregados, utilizando-se da força e da lei.
O que o Anarquismo propõe? Existe esta situação em que vivemos, um sistema que nos leva a morte, destruindo as relações sociais em proveito do interesse de uma minoria. Nós, Anarquistas temos uma crítica a este sistema e propomos uma mudança radical, revolucionária, uma ruptura com tal prática de relação social e econômica. Queremos o controle, pela sociedade, de seu trabalho, saúde, educação e tudo mais que lhe diga respeito, e nosso objetivo é estar atuando no meio social, transformando o cotidiano, construindo alternativas, enfim, propagando nosso ideal pela ação, pela prática. O Anarquismo é esse instrumento de transformação, e só é possível construir o Anarquismo praticando-o, vivendo-o.
E onde entra a ética Anarquista nisso? Procurando por em prática o Anarquismo, esse instrumento de luta social, o mesmo tem como base os princípios Anarquistas, aquilo em que acreditamos e pelo qual lutamos, tais como o apoio mútuo, autogestão, internacionalismo, liberdade, princípios que são a essência do movimento e o que caracteriza o pensamento Anarquista. E a ética Anarquista, nossa conduta, deve estar sempre coerente com estes princípios. Se a moral hipócrita burguesa educa para formar escravos egoístas, reprodutores de sua ideologia, nós Anarquistas propomos uma outra educação, aquela que busque criar indivíduos preocupados com o bem estar da sociedade e do meio em que vivem, vendo o próximo com respeito e igualdade. Entendendo-se educação aqui como tudo aquilo que assimilamos e reproduzimos enquanto vivendo em sociedade, essa educação que propomos, essa ética, só virá através da prática, seja em qualquer atuação social, seja em um grupo de estudos, em uma ocupação de terreno, em uma comunidade ou no sindicato, para nós a prática deve estar coerente com nossos princípios.
Acreditamos que a prática determina quem se é e o fim ao qual se vai chegar. O capitalista e o autoritário podem utilizar-se do discurso para enganar, mas suas práticas fazem com que suas máscaras caiam, e levam a fins que conhecemos bem, fins que estão de acordo com suas ações. Acreditamos que ser anarquista não é algo que se possa abdicar em favor de um suposto objetivo ou quando não for do nosso interesse, devemos sê-lo sempre, no trato com as pessoas, nas relações afetivas, na militância, etc. É claro que isso não quer dizer que devemos estar falando de Anarquismo sempre e com todos como um fanático religioso, ou sair por aí espancando os patrões e as autoridades (embora isso dê vontade). Vivemos e crescemos em uma sociedade injusta, desigual e autoritária, muitos de nós temos que alienar nossa força de trabalho para um patrão ou proprietário, e nossas relações muitas vezes são com pessoas que reproduzem a ideologia do capital. Mas, e aí está nosso diferencial, se nós somos Anarquistas e propomos e lutamos por uma sociedade justa, igual e não hierarquizada, nós não podemos ter uma prática, uma ética, na vida política e outra na vida particular, ou então agirmos como canalhas com os companheiros ou manipularmos politicamente as pessoas com base em sofismas e calúnias, tudo em nome de um suposto Anarquismo. Estar na luta é também buscar limpar-se dos vícios do sistema estatal/burguês autoritário, não adianta nada falarmos em Anarquismo e ao mesmo tempo caluniar, ser sexista, tentar coagir, intimidar para exercer influência, etc. Estar na luta é fazer a revolução agora, com cada passo conquistado, tentando mudar a realidade hoje e não por partes, em uma racionalização pobre que tenta desassociar as ações no presente com os resultados no futuro.
Temos que ser um exemplo pelas nossas ações, seja pelo que fazemos e como fazemos. Vamos deixar os rótulos, a individualização, o pragmatismo cego e implacável para o capitalismo, que, em sua conduta, não vê impedimento e passa por cima de tudo e todos para que uma minoria tenha seu poder e seu lucro garantidos. Sejamos Anarquistas, não da boca pra fora, no discurso sedutor, mas atuando socialmente e tendo nossa ética condizente com nossos princípios. Nós Anarquistas lutamos para que a maioria explorada fortaleça-se em relações sociais justas, iguais e não hierarquizadas, para que, organizada, ponha fim à ditadura do egoísmo.
CEADP (Coletivo de Estudos Anarquistas Domingos Passos), Niterói. Janeiro de 2004